segunda-feira, 30 de julho de 2012





HÁ QUE TER PAIXÃO! 

Quase quatro horas de espetáculo! Parabéns a quem planejou, a quem organizou, a quem tornou realidade todos os instantes que se seguiram a partir do toque do sino inicial, sino de 27 toneladas. A começar pelo seu organizador, o diretor de cinema Daniel “Danny” Boyle, conceituado, reconhecido e laureado diretor que recebeu a estatueta pelo filme Quem Quer Ser Um Milionário?

E a Rainha? Lá permaneceu firme, do alto de seus 86 anos, reinando como sempre com sobriedade sobre seus súditos a aplaudi-la com reverência.

A evolução da sociedade britânica, desde os seus primórdios, foi contada, realisticamente, através de montagens perfeitas, com figurantes perfeitos, embora não atores, perpassando imagens de grande impacto sobre uma assistência atenta. Todas as agruras sofridas pela sociedade inglesa durante séculos, produto da Revolução Industrial, foram ali expressas. Por outro lado, toda a pujança artística e cultural de seu povo esteve presente desde o ato da abertura até o seu fechamento.

A Tempestade de Shakespeare, explorada através da fala de Caliban, onde se misturam elementos próprios do universo medieval com elementos que tem origem na reflexão histórica e social e na ciência política, próprios do Renascimento, acrescida de o Pandemônio, do Paraíso Perdido de John Milton, traçaram um roteiro inteligente ao evento como um todo. Um verdadeiro passeio pela História da Ilha com seus grandes nomes em diversas áreas de atuação e em diversos momentos históricos.

Poder-se-ia ficar a descrever, por páginas e páginas, o espetáculo de abertura dos Jogos Olímpicos de 2012. Não é esse o tema central dessa crônica. Aqui, é apenas importante como pano de fundo para o que se pretende abordar.

O que se quer é enfatizar a idade cronológica dos principais partícipes do espetáculo em questão. A começar pela Rainha, passando pelo organizador do evento, chegando a Sir Stephen “Steve” Geoffrey Redgrave, dono de 5 medalhas de ouro no remo, que foi quem carregou, correndo, por um bom trecho, a tocha olímpica até o palco do Estádio Olímpico de Stratford. Nenhum deles com menos de 50 anos. Alguns, com bem mais idade.

E como ápice da disposição, da paixão pelo que faz, assistimos Sir James Paul McCartney, do alto de seus 70 anos, cantando, com uma empolgação poucas vezes observada, sua famosa Jude. Aliás, hoje, já um patrimônio de todos, tanto os de sua época, quanto os jovens atuais.

Aqui, também em terras brasileiras, nossos ídolos de ontem ainda permanecem arrastando multidões. Muitos integrantes da Jovem Guarda, capitaneados pelo Rei Roberto Carlos, outros tantos cantores famosos da MPB, bem como nossos reconhecidos sambistas de décadas passadas, atores e atrizes conhecidíssimos, grandes humoristas e inúmeros escritores estão ainda em atividade.

O que os move? A paixão pelo que fazem: a paixão por viver. Um dos melhores exemplos é o maior arquiteto das curvas, Oscar Niemeyer que, com 104 anos de idade, aceitou o convite para elaborar o projeto arquitetônico de um grande Centro de Eventos, que nossa Porto Alegre está a merecer.

Isso se chama paixão, aquela chama que irrompe a cada amanhecer e que o mantém “vivo” e atuante pelos anos afora. Tão vivo ao ponto de aceitar o desafio de elaborar mais um projeto que, com certeza, lhe deu nova motivação nas suas atividades para os próximos meses, ou para os próximos anos.

Assim também, o criador do World Wide Web e Diretor do World Wide Web Consertium, Sir Timothy John Berners-Lee, ou simplesmente Tim Berners-Lee, físico britânico, cientista da computação e professor do MIT, responsável pela revolução Digital, iniciada ainda na década de oitenta, esteve presente na Abertura dos Jogos Olímpicos e, com certeza, também encara, com paixão, cada dia que desponta.

Aliás, a crônica do Dr. José Camargo, publicada em ZH de 21 de julho, próximo passado, bem atesta o que na realidade conta. O que importa é a lucidez, a autonomia, a determinação e o bom humor. Não seria demais acrescentar aquele ingrediente que os torna plenamente inseridos no momento em que vivem: a capacidade de atualizar-se. Na frase extraída da referida crônica, temos o exemplo do que é sentir paixão pela vida. Dona Vanda, de 89 anos, participou da cena que segue.

Aí vai:



“Quando fomos apresentados com a observação de que eu deveria operá-la, e ela sentou-se ao meu lado, elegante e perfumada, arrisquei perguntar-lhe:

-“Posso pegar na sua mão?” E ela prontamente:

-“Claro, e se eu quiser ir adiante, topas?”





Lembramos que a própria letra de Hey Jude diz a certa altura:


“Ei, Jude, comece

Você está esperando por alguém com quem realizar as coisas.

E você não sabe que é somente você?

Ei, Jude, você consegue

O movimento que você precisa está nos seus ombros

Na na na na na na na na ...





Então, pra terminar, uma pequena poesia que retrata a importância de se fazer com emoção, de se viver com paixão.


ÉS TUDO

Navegas em mim a cada dia.

Se me faltasses, perder-me-ia de mim.

Nem mais saberia por que aqui restaria,

Se já não mais contigo contasse por um dia.

Gracias por tua presença que meus atos ilumina,

Que me aquece, me conduz, me incentiva.

No entreabrir-se do amanhecer, no arrebol do entardecer,

Me seguras pela mão e plantas um novo sonho a cada anoitecer.

Com nova plumagem a cada raiar do dia,

Sinto-me capaz de novamente, e de novo, recomeçar.

E a cada nova ação, abro a caixa cheia de ti.

E renovo contigo meu estoque deste fazer com emoção.

Obrigada, PAIXÃO!






 

Roberto Carlos em Jerusalém – abertura

 
Chico Buarque de Holanda – Voltei a Cantar, Mambembe e Dura na Queda (Carioca ao Vivo)
 
 

 

 
Gilberto Gil – Pela Internet

 
Reportagens:














 

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