sábado, 12 de outubro de 2019

MAIS LONGE? OU... MAIS PERTO?


O que busca o nosso olhar?

Os movimentos do corpo podem até ser rápidos, porém o olhar é seletivo e se detém naquilo que lhe é mais familiar. Viveu pouco, mas já tem referenciais que prendem a sua atenção.

Na outra extremidade, temos outro olhar, também mais seletivo, mais necessitado do que já observou, viveu e sedimentou em uma lembrança que lhe acompanha, trazendo momentos de paz interior.

O olhar que busca, atrás da cortina, o presente prometido é o mesmo olhar, acredito, que já descobriu o que lá existia, mas que, mais uma vez, quer lembrar a magia daquele momento e abraça o ursinho que enfeita a sua cama. Ele é o que seu olhar reteve de mais puro naquele tempo passado. E uns versos surgem no embalo desta lembrança. 


Hoje, passados tantos anos, há como que uma volta na postura do que busca este sábio olhar.

Tornou-se menos saltitante. Busca o que de menos efêmero existe, pois só assim poderá estender seu olhar por mais tempo sobre aquilo que representa um maior tempo de existência. Pois, estamos a falar do tempo que passou àquele que ocupa o seu olhar agora.

O tempo, que intermediou estes dois momentos, foi extremamente diversificado, dividido, sobrecarregado a tal ponto que o olhar foi incapaz de selecionar a necessária paz interior, tal a profusão de focos diferenciados.

A resposta à pergunta inicial traz a certeza que somos, com o passar dos anos, cada vez mais semelhantes ao que fomos quando o nosso olhar era tão seletivo ao ponto de apenas buscar o seio materno.

A idade traz a sabedoria com o acréscimo de um olhar mais pacífico, mais seletivo, menos célere: mais infantil no sentido da sua busca pelo olhar do outro, como uma fonte que alimenta.

Acredito que o próprio tempo tenha possibilitado esta volta no tempo que nos permite voar, não contra o tempo, mas de forma mágica através dos seres, dos fatos, dos momentos guardados na lembrança que nos aproximam da criança que fomos.

Hoje, estamos mais perto do que fomos ontem.

Seria uma volta no tempo que robustece a ideia de que somos eternos. Apenas, para não perder a graça, voltamos de tempos em tempos para curtir novos tempos, pois gostamos de exercer essa constante proximidade da criança com alguém “mais experiente”.

Voltar a ter um olhar de criança é apaziguador.

Aliás, saudemos nossa criança interior neste Dia das Crianças!

Por que não?








segunda-feira, 7 de outubro de 2019

QUANDO O AMOR FAZ A DIFERENÇA


A premiação é o coroamento de um amor que iniciou quando a mãe, adotiva, o recebeu em seu colo. Um menino que nascera com 500 gramas, fruto de uma gestação de apenas 5 meses, interrompida por uma tentativa de aborto. Vários casais haviam rejeitado uma possível adoção deste ser. Um bebê deficiente visual com este pregresso histórico teria alguma chance? Sim, ele teve.

O amor, que o conduziu até os atuais 12 anos de idade, é de ser enaltecido. Ainda, aos 5 anos, foi diagnosticado com um autismo leve. Nada impediu a caminhada deste ser, porém.

Uma forte ligação e um profundo amor têm sido os determinantes que fizeram com que Nickollas alcançasse a possibilidade de alegrar-se, de sentir-se partícipe, de vibrar, de ter suas emoções positivas preservadas. Que bom ter, sem mesmo ver, aquela que o embalou, que o acariciou nos primeiros meses de vida. Que bom existir Silvia, aquela que substitui até a visão do Nickollas pela também narração do que vê, presencia, sente e, também, vibra.

Embalada por esta possibilidade e, após verificar que ouvir apenas os jogos pelo rádio não o satisfazia, o que mais queria era escutar a torcida, presente no entorno, decidiu começar a levá-lo aos estádios de futebol.

Resolvera-se a falta de torcida, pois, agora, Nickollas estava junto a ela. Não satisfeita, Silvia tratou de imitar os narradores que depositam emoção a cada lance. Também ela, a partir desta prática junto ao Nickollas, conseguiu transmitir a emoção que cerca uma partida de futebol. Emoção pura!

Silvia, sendo palmeirense, frequenta os estádios em que o Palmeiras se faz presente. A estreia de mãe e filho deu-se em 2012, no estádio do Pacaembu.

Uma pequena digressão cabe aqui.

Uma tela de celular ou de um notebook será capaz de transmitir toda a emoção que se faz presente num estádio? Mesmo tendo todos perfeita visão? A frieza de uma tela, a falta de interagir com o semelhante, a possibilidade de as emoções acumuladas serem drenadas, este conjunto não seria um bom motivo para que se frequentem mais os estádios? Perdendo ou ganhando, acredita-se que esta interação pode ser benéfica, desde que os exageros sejam coibidos por aqueles que têm esta função.

Nickollas está certo. O estádio repleto transmite a ele as emoções das quais precisa. Ele, também, as tem, embora, por vezes, adormecidas. Este jovem de 12 anos ainda concilia os estudos frequentando a 5ª série de um colégio inclusivo em São Paulo.

Esta dupla de mãe e filho em estádios de futebol, torcendo pelo Palmeiras, time do coração de Silvia, é reconhecida desde algum tempo.

Agora, Nickollas acaba de receber o título de Torcedor do Ano da FIFA. O troféu foi entregue na Festa de Gala da FIFA, o FIFA THE BEST, no Teatro Alla Scala, em Milão, na Itália.

Silvia, lá também, descreveu a festa de entrega e quem estava presente: autoridades, jogadores, torcedores, ídolos. Enalteceu o esporte, em especial o futebol, como algo que deve ser, também, inclusivo. Dedicou o prêmio a todos os torcedores que “torcem” pela pessoa com deficiência. E, claro, estava ali representando todos os brasileiros que possuem alguma deficiência.

Pois é!

O amor faz toda a diferença.

E o barulho da torcida? Completa o cenário.

Precisamos nos sentir vivos, partícipes, unidos. Só assim desenvolveremos nossas capacidades, pois o nosso semelhante tem muito a nos dar, se soubermos captar, por algum dos sentidos, nossas semelhanças e possibilidades de realização pessoal. Nossos aplausos a esta mãe tão amorosa e a este filho: fruto do momento em que amarrou seu coração ao de Nickollas, palavras de Silvia ao descrever o momento de tê-lo no colo pela primeira vez.




Silvia Grecco e seu filho Nickollas. Reprodução/Instagram















domingo, 22 de setembro de 2019

MAS BAH, TCHÊ! QUAL ESTAÇÃO SE APROXIMA?



Diante de tantas notícias que nos chegam de além-mar e frente a oscilações de temperatura e fenômenos meteorológicos, por vezes, intensos: não mais sabemos como estará a temperatura no dia seguinte. Pobres meteorologistas! Estão, constantemente, sob-risco de cometerem previsões errôneas.

Tudo por capricho da Natureza! Será?

A Natureza terá ficado tão absurdamente “voluntariosa”?

Será que as árvores florirão logo, logo?

E os cantos convidativos dos pássaros cantores permanecerão chamando as companheiras para o procriar da espécie?

E as chuvas descerão suaves sobre a relva ou avalanches surgirão repentinamente?

Foi-se o tempo em que as estações eram definidas. Hoje, não se pode confiar na Natureza como dantes. Será que nos tornamos tão diferentes do que éramos que ela, a Natureza, resolveu nos imitar, dando-nos o troco com a imprevisibilidade?

A visão do céu não mais é confiável. Um tapete azulado torna-se, em minutos, da cor do azeviche. O excesso de temperatura para mais ou para menos é constante.

Lidar com o imprevisível é por demais cansativo. Assemelha-se àquela mulher que nunca sabe, ao certo, qual o humor do marido ao chegar em casa.

É claro que o imprevisível faz parte do nosso dia a dia. Quando ele, porém, passa a ser tônica de situações que nos cercam, há que ter paciência.

Lembremos que, neste 21 de setembro, comemora-se o Dia da Árvore. A importância da data deve ser lembrada, pois a existência das árvores e das florestas é que nos garante que a imprevisibilidade das condições climáticas não se torne constante e avassaladora. A manutenção dessas reservas de oxigênio e de chuvas é que cabe a nós, povo que habita este planeta.

Agora, com chuva, sol, frio ou vento, este povo aqui do Sul estará sempre pronto para cultivar as tradições que o fizeram aguerrido, forte e bravo. Procuremos ser modelo não apenas na letra do hino rio-grandense, fazendo jus, mais ainda a esta qualidade, ao mantermos nossas reservas florestais, bem como preservarmos, com qualidade, os espaços verdes dentro de nossas cidades, como nossos parques, praças e tantos outros lugares aprazíveis que não devem ser tomados pelo concreto.

Pensem no pássaro cantor. Aonde irá ele conquistar sua companheira?

E o nosso olhar? Aonde buscará iluminar-se, se não existirem as belas cores dos jacarandás e dos ipês floridos?

Preservemos nossas árvores com carinho, nossas matas com amor, nossos valores culturais com o afeto transmitido por nossos pais.

Daí, sim, poderemos, quem sabe, servir de modelo a toda a Terra.

Cultivemos, isto sim, a virtude de saber-se igual ao irmão que jaz na calçada. Criemos políticas de não simples acolhimento, mas de redirecionamento e aproveitamento das potencialidades que cada um apresenta em algum grau.

Que as estações, mesmo quando indefinidas, apresentem dias e noites de paz, de mais solidariedade, de uma maior certeza no dia de amanhã.

Que a esperança seja a nossa válvula propulsora. Que a virtude torne-se nossa busca constante. Preservemos a Natureza para que ela se torne nossa aliada nessa caminhada planetária, liberta do jugo do imprevisível.

Que o sol ressurja a cada amanhecer, enquanto a lua começa a brilhar em outras plagas.

Que a chuva caia de mansinho sobre campos e cidades: de preferência com um prévio aviso.

Que nós, do Sul, continuemos a nos orgulhar dessa terra que nos viu crescer, que a tantos ainda acolhe e que é abençoada pelo Patrão Velho. ELE que é o detentor de nossa liberdade de existir. Esforcemo-nos para que ELE, o Criador, nos permita, a cada um de nós, sermos bons modelos dentro de nossas comunidades. E isto já estará de “bom tamanho”.

Por aqui, somos apenas criaturas dotadas de livre arbítrio. Aí repousa o problema e a solução. As condições climáticas, em grande parte, dependem de nossas ações. Se forem errôneas, ele, o tempo, torna-se imprevisível. Assim como nós próprios que, também, somos imprevisíveis. Agora, conosco as coisas são mais complexas, porque somos criaturas esculpidas à imagem e semelhança. Portanto, somos uma tentativa constante de atingirmos o Modelo Maior e Eterno.

Conclusão:

Sejam vigilantes consigo próprios e deixem que ELE cuide de todos.

E, por favor, não atrapalhem.

Ah! Amanhã, dia 23 de setembro, a Primavera deve chegar. Será?







domingo, 1 de setembro de 2019

SUPERAÇÃO!


Como não se emocionar!

Emocionantes cenas que se repetem, nos dias que sucedem a Abertura dos Jogos Parapan-Americanos de Lima, neste ano de 2019. Nesta edição, participaram 1890 atletas, competindo em 17 modalidades esportivas e representando 33 países.

Desde a Cerimônia de Abertura, com porta-bandeira de Brasília, a delegação brasileira vem apresentando resultados extraordinários na conquista de medalhas.

O nosso melhor desempenho em Jogos
Paraolímpicos ocorreu em 2016, no Rio de Janeiro. Naquela Paraolimpíada conquistamos 72 medalhas, sendo 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze.

Em 1960, a cidade de Roma sediou os 1ºs Jogos
Paraolímpicos.

Já faz um tempo.

A emoção, porém, permanece para quem assiste a tantos desafios superados por pessoas que não se deixaram abater por deficiências físicas e paralisias cerebrais. Buscaram, no esporte, a superação de suas deficiências, encontrando a realização pessoal. Conquistaram, como indivíduos, uma posição de destaque na sociedade a qual pertencem, trazendo aos seus países o orgulho de representá-los de forma exemplar.

E aqui se registre a importância de ser um medalhista, independentemente de que seja de ouro, prata ou bronze essa sua conquista.

Nesta Parapan-Olimpíada obtivemos o melhor desempenho até hoje, conquistando o 1º lugar entre os países que competiram, somando 308 medalhas, sendo 124 de ouro, 99 de prata e 85 de bronze.

Já somos tetracampeões. Em especial na Natação e no Atletismo o Brasil destacou-se, conseguindo o maior número de medalhas nestas modalidades.

Na Natação, todos se superaram, apresentando excelentes desempenhos. Vale a pena referir que, entre todos, destacou-se Daniel de Faria Dias que conseguiu 33 medalhas de ouro, tendo 100% de aproveitamento.

Diante deste evento acontecendo em Lima, lembro-me de duas crônicas, datadas de 27/08/12 e de 20/09/12, onde estão descritas atuações de jovens com alguma deficiência que, superando este obstáculo, apresentaram desempenhos invejáveis.

A primeira crônica referida, CAMINHEMOS TODOS JUNTOS, demonstra a superação de seres, considerados deficientes, mas que ganharam prêmios no Festival de Gramado, através do filme
COLEGAS, todos eles protagonistas e portadores da Síndrome de Down. A segunda, ENCILHANDO..., na cerimônia de encerramento das Paraolímpiadas de Londres, um cavalo de ferro, mecânico, bem como uma profusão de alegorias em metal e ferro traz a nossa lembrança os times de cadeirantes jogando basquete e o futebol7.

Da mesma forma, nestes Jogos Parapan-Americanos de 2019, tivemos verdadeiros ginetes dominando suas cadeiras e atingindo as cestas e as redes adversárias.

Que exemplos de excelência em seus desempenhos. Como não nos emocionarmos!

Eles, ganhadores, verteram lágrimas de emoção, de felicidade. Nós, de igual maneira, nos emocionamos ao vê-los emocionados por vencerem os obstáculos, perseguindo seus objetivos e os alcançando.

Ah! O Hino Nacional Brasileiro nunca foi tão executado, ouvido e compartilhado por todos que participaram, no pódio, destes momentos inesquecíveis, bem como pelos compatriotas presentes ou por aqueles que, embora distantes, assistiam àquelas cenas comoventes através das transmissões televisivas.

E o gostinho de “quero mais”?

Em 2023, a cidade de Santiago, no Chile, sediará os próximos Jogos Pan-Americanos.

Agora, Os Jogos Olímpicos de 2020, no Japão, serão, com certeza, igualmente inesquecíveis para todos aqueles atletas que lá comparecerem. Todos eles moldados por muito treino, mas não sendo este o principal requisito. No caso desses para-atletas, o que os move é: obstinação, determinação, inspiração, igualdade, solidariedade, persistência e superação de desafios constantes.

E o que mais impressiona?

A alegria estampada em seus rostos, como o da nossa Joaninha ou 
Joana Maria Jaciara da Silva Neves Eusébio, detentora de 5 medalhas de ouro. Ressalte-se que, mesmo quando não alcançam uma medalha, a alegria permanece, pois todos são atletas de alto rendimento. Competir em alto nível já é uma recompensa e um motivo para seguir em busca de um resultado melhor a cada nova competição.

O nosso aplauso ao plantel de atletas brasileiros, cujas lesões físicas, extremamente severas, não são empecilho para suas conquistas pessoais. 


Rumo ao Pentacampeonato no Chile!



Daniel Dias se emociona após mais um ouro para o Brasil!


Joana Jaciara leva outro ouro e dedica ao sobrinho!


Cerimônia de abertura dos Jogos Parapan-Americanos 2019.